14 de abril de 2012

Decalógo do leitor - Por Alberto Mussa



Vi em um blog, no qual não me recordo agora. A seguinte frase: Nunca leia por hábito: um livro não é uma escova de dentes. Leia por vício, leia por dependência química”. Achei o maior barato! Curiosa que sou, fui pesquisar sobre o autor. Mexendo aqui e acolá, encontrei no site da Uol uma matéria bem legal do dono da frase; Alberto Mussa.

Conhecendo o autor:
Alberto Mussa nasceu no Rio de Janeiro, em 1961. Escreveu os contos de Elegbara, seguidos dos romances O trono da rainha Jinga, O enigma de Qaf, O movimento pendular e O senhor do lado esquerdo. Recriou a mitologia dos antigos tupinambás em Meu destino é ser onça e é coautor do ensaio Samba de enredo: história e arte. Sua obra, publicada em dez países e traduzida em sete idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano, turco, árabe e romeno), vem sendo estudada em universidades da Europa, dos Estados Unidos e do mundo árabe. Entre outras distinções, ganhou os prêmios Casa de Las Américas, Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, e, por duas vezes, o da APCA.

Último livro:
O senhor do lado esquerdo - romance - (Editora Record, 2011, Rio de Janeiro).
 Fonte: Grupo Editorial Record


30 Mandamentos para ser leitor, escritor e critico
Decalógo do leitor
Por Alberto Mussa

I - Nunca leia por hábito: um livro não é uma escova de dentes. Leia por vício, leia por dependência química. A literatura é a possibilidade de viver vidas múltiplas, em algumas horas. E tem até finalidades práticas: amplia a compreensão do mundo, permite a aquisição de conhecimentos objetivos, aprimora a capacidade de expressão, reduz os batimentos cardíacos, diminui a ansiedade, aumenta a libido. Mas é essencialmente lúdica, é essencialmente inútil, como devem ser as coisas que nos dão prazer.

II - Comece a ler desde cedo, se puder. Ou pelo menos comece. E pelos clássicos, pelos consensuais. Serão cinquenta, serão cem. Não devem faltar As mil e uma noites, Dostoiévski, Thomas Mann, Balzac, Adonias, Conrad, Jorge de Lima, Poe, García Márquez, Cervantes, Alencar, Camões, Dumas, Dante, Shakespeare, Wassermann, Melville, Flaubert, Graciliano, Borges, Tchekhov, Sófocles, Machado, Schnitzler, Carpentier, Calvino, Rosa, Eça, Perec, Roa Bastos, Onetti, Boccaccio, Jorge Amado, Benedetti, Pessoa, Kafka, Bioy Casares, Asturias, Callado,Rulfo, Nelson Rodrigues, Lorca, Homero, Lima Barreto, Cortázar, Goethe, Voltaire, Emily Brontë, Sade, Arregui, Verissimo, Bowles, Faulkner, Maupassant, Tolstói, Proust, Autran Dourado, Hugo, Zweig, Saer, Kadaré, Márai, Henry James, Castro Alves.

III - Nunca leia sem dicionário. Se estiver lendo deitado, ou num ônibus, ou na praia, ou em qualquer outra situação imprópria, anote as palavras que você não conhece, para consultar depois. Elas nunca são escritas por acaso.

IV - Perca menos tempo diante do computador, da televisão, dos jornais e crie um sistema de leitura, estabeleça metas. Se puder ler um livro por mês, dos 16 aos 75 anos, terá lido 720 livros. Se, no mês das férias, em vez de um, puder ler quatro, chegará nos 900. Com dois por mês, serão 1.440. À razão de um por semana, alcançará 3.120. Com a média ideal de três por semana, serão 9.360. Serão apenas 9.360. É importante escolher bem o que você vai ler.

V - Faça do livro um objeto pessoal, um objeto íntimo. Escreva nele; assinale as frases marcantes, as passagens que o emocionam. Também é importante criticar o autor, apontar falhas e inverossimilhanças. Anote telefones e endereços de pessoas proibidas, faça cálculos nas inúteis páginas finais. O livro é o mais interativo dos objetos. Você pode avançar e recuar, folheando, com mais comodidade e rapidez que mexendo em teclados ou cursores de tela. O livro vai com você ao banheiro e à cama. Vai com você de metrô, de ônibus, e de táxi. Vai com você para outros países. Há apenas duas regras básicas: use lápis; e não empreste.
VI - Não se deixe dominar pelo complexo de vira-lata. Leia muito, leia sempre a literatura brasileira. Ela está entre as grandes. Temos o maior escritor do século XIX, que foi Machado de Assis; e um dos cinco maiores do século XX, que foram Borges, Perec, Kafka, Bioy Casares e Guimarães Rosa. Temos um dos quatro maiores épicos ocidentais, que foram Homero, Dante, Camões e Jorge de Lima. E temos um dos três maiores dramaturgos de todos os tempos, que foram Sófocles, Shakespeare e Nelson Rodrigues.

VII - Na natureza, são as espécies muito adaptadas ao próprio hábitat que tendem mais rapidamente à extinção. Prefira a literatura brasileira, mas faça viagens regulares. Das letras européias e da América do Norte vem a maioria dos nossos grandes mestres. A literatura hispano-americana é simplesmente indispensável. Particularmente os argentinos. Mas busque também o diferente: há grandezas literárias na África e na Ásia. Impossível desconhecer Angola, Moçambique e Cabo Verde. Volte também ao passado: à Idade Média, ao mundo árabe, aos clássicos gregos e latinos. E não esqueça o Oriente; não esqueça que literatura nenhuma se compara às da Índia e às da China. E chegue, finalmente, às mitologias dos povos ágrafos, mergulhe na poesia selvagem. São eles que estão na origem disso tudo; é por causa deles que estamos aqui.

VIII - Tente evitar a repetição dos mesmos gêneros, dos mesmos temas, dos mesmos estilos, dos mesmos autores. A grande literatura está espalhada por romances, contos, crônicas, poemas e peças de teatro. Nenhum gênero é, em tese, superior a outro. Não se preocupe, aliás, com o conceito de gênero: história, filosofia, etnologia, memórias, viagens, reportagem, divulgação científica, auto-ajuda – tudo isso pode ser literatura. Um bom livro tem de ser inteligente, bem escrito e capaz de provocar alguma espécie de emoção.

IX - A vida tem outras coisas muito boas. Por isso, não tenha pena de abandonar pelo meio os livros desinteressantes. O leitor experiente desenvolve a capacidade de perceber logo, em no máximo 30 páginas, se um livro será bom ou mau. Só não diga que um livro é ruim antes de ler pelo menos algumas linhas: nada pode ser tão estúpido quanto o preconceito.

X - Forme seu próprio cânone. Se não gostar de um clássico, não se sinta menos inteligente. Não se intimide quando um especialista diz que determinado autor é um gênio, e que o livro do gênio é historicamente fundamental. O fato de uma obra ser ou não importante é problema que tange a críticos; talvez a escritores. Não leve nenhum deles a sério; não leve a literatura a sério; não leve a vida a sério. E faça o seu próprio decálogo: neste momento, você será um leitor.

Demais não é mesmo? 

Abaixo coloco o link do restante da matéria:
30 mandamentos para ser escritor e critico

Espero que tenham gostado!

Beijos,
ઇ‍ઉ Érica Lopes




10 comentários:

Nayara disse...

Olá Érica!

Cheguei ao seu blog pelos caminhos do twitter e esse texto que vc postou hoje é realmente excelente. Estou numa fase de questionamento das minhas escolhas como leitora e, consequentemente, dos rumos do meu blog. Pretendo dar uma passeada por aqui!

Bj,

Nayara.
www.dignidadenaocabeaqui.blogspot.com.br
@dignidadencaqui

Érica Patricia Lopes disse...

Oi, Nayara! Seja bem vinda!
É um prazer tê-la aqui no meu cantinho ^^

Achei essencial essa matéria, tinha que compartilhar com vocês!!

Volte sempre querida!

Beijokas

Laura Freire disse...

Oi, Érica!
Muito bom texto! Obrigada por compartilhá-lo!
Não conhecia o autor e seu post também foi bom por isso.
Abraço! :)

Érica Patricia Lopes disse...

Oi, Laura!
Tb não conhecia o autor e achei maravilhoso o texto!

Beijos

Marco Antonio disse...

Boa tarde Érica,

Nossa excelente esse post hein, muito interessante as dicas e o assunto....abçs.


http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

Paloma Viricio:: Jornalismo na Alma:: disse...

Não conhecia o autor, mas o cara parece ser demais!^^ Gostei da frase dele. Ler tem que ser um vício mesmo, vício do bem! Ai... bem que no final eu fiquei com um arzinho de quero mais. Ai...estou torcendo muito pelos dois! Clara e Adam s2!
Quando a música estiver pronta eu te mandooo^^...estou bolando algo bem legal!
Beijocas!
http://palomaviricio.blogspot.com.br

Mireliinha disse...

Que legal, prima! :)
Não sabia que essa frase, maravilhosa por sinal, era desse autor!
Adorei o post por completo!

:*
Mi
Inteiramente Diva

The Lazy Girls disse...

Oie!
Adorei a matéria e tbm o seu blog...
seguindo vc viu?
Agradecendo a sua visita lá no blog e que bom que vc gostou da nossa caixinha =]
tem post da nossa primeira editora parceira lá no blog se vc quiser ir lá e deixar um coment...
http://falleninme.blogspot.com
Bjão

Bruna Fernandes disse...

Ericaa!!
Adorei essa de que livro não é escova de dentes hehe
Falar em livro,li Londres (no trem,no onibus enfim,pra onde eu fui eu carreguei seu livro) e advinha:eu ri,chorei,me emocionei...amei ter participado do Bookttour *.*

Bjos

Érica Patricia Lopes disse...

Bruna,
Fico mega feliz qu tenhado amado Londres!
Muito obrigada mesmo por aceitar participar do BT^^

Beijokas florzinha :D

 

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